Você pode repetir?

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Você pode repetir?

Bárbara Raffaeli
Ouvir bem é fundamental para poder participar da sociedade, seja no trabalho ou no convívio familiar. Por isso, ao menor sinal de dificuldade auditiva, vale consultar um médico: modernos aparelhos podem recuperar os mais sutis dos sons, seja os de uma complexa sinfonia musical ou de uma conversa sussurrada. 
 
Com o avanço da idade não ouvir direito é comum, mas não é normal. A não ser aquela velhinha do programa A Praça é Nossa, ninguém precisa conviver com a perda auditiva. A audição é um sentido importante para um bom convívio social, se é afetada, conseqüentemente, a relação com as outras pessoas também é prejudicada.

Por não ouvirem direito, os idosos acabam não se expressando bem verbalmente, com isso as pessoas ao seu redor acabam por interpretá-los mal. O pior é que a falta de clareza no falar passa a imagem de que a pessoa está mentalmente confusa, distraída, e, injustamente, senil.
 

“A surdez no idoso constitui um dos mais importantes fatores de desagregação social. De todas as privações sensoriais, a perda auditiva é a que produz efeito mais devastador no processo de comunicação do idoso, sem contar que muitas vezes a deficiência auditiva pode ser acompanhada de um zumbido que compromete ainda mais o bem-estar daquele indivíduo”, explica o Dr. Sady Selaimen da Costa, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia.

Os problemas de audição acontecem porque o ouvido humano, como todas as outras partes do organismo, envelhece, o que é chamado de presbiacusia.
Ninguém tem que viver com algo que incomoda se há soluções que podem amenizar o problema”, diz o Dr. Luis Carlos Alves de Sousa, coordenador da Campanha Nacional de Audição: “Assim como há o envelhecimento da visão e a pessoa passa a ver menos, com a idade ela também passa a ouvir menos. E como é natural usarmos óculos para poder amplificar as imagens, também deveríamos usar os aparelhos de amplificação sonora (AASI), também chamados de próteses auditivas, ou outros equipamentos auxiliares para a audição, sem nenhum preconceito, como forma de se minimizar os efeitos negativos da deficiência auditiva que tanto aflige as pessoas”, afirma Dr Sousa.

Os sintomas de quem começa a ter dificuldades para ouvir são vários e, segundo a fonoaudióloga Elisabetta Radini, a pessoa só se dá conta da deficiência da audição quando a perda já começa a mudar seus hábitos: “A pessoa só percebe a dificuldade auditiva quando ela interfere na vida social e muda algumas coisas no seu dia-dia, como a altura do volume da televisão”. diz Elisabetta.

A fonoaudióloga afirma ainda que, ao primeiro sinal de diminuição na audição, a pessoa deve procurar um médico especializado para avaliação do problema: “O médico, analisando o caso, pode indicar um remédio, uma cirurgia ou um aparelho, resolvendo rapidamente o problema”, aconselha.
 

Fique de ouvido “ligado” nos sintomas: 
• Redução na percepção da fala em várias situações e ambientes acústicos - O sintoma piora em ambientes ruidosos. Muitas vezes, a perda auditiva surge associada a um zumbido, o que piora o problema.
• Ouvir mas não entender - o idoso muitas vezes ouve o que a pessoa está falando, mas não entende.
• Alterações psicológicas - Depressão, embaraço, frustração, raiva, medo e outras alterações psicológicas podem surgir causadas por incapacidade pessoal de comunicar-se com os outros.
• Isolamento social - A interação com a família, amigos e comunidade fica seriamente afetada.
• Incapacidade auditiva - igrejas, teatro, cinema, rádio e TV.
• Intolerância (irritação) a sons de moderada à alta intensidade (principalmente os agudos) - Se a pessoa fala baixo, o idoso não ouve, se ela grita, o incomoda.
• Problemas de alerta e defesa - incapacidade para ouvir pessoas e veículos aproximando-se, panelas fervendo, alarmes, telefone, campainha da porta, anúncios de emergências em rádio e TV.
 
 
Dicas para quem convive com o problema
Não se trata de solução, mas algumas dicas podem ajudar os familiares e amigos do deficiente auditivo a contornar o problema:
1) Falar pausadamente e olhando de frente para a pessoa com dificuldade auditiva;
2) Falar em tom um pouco mais alto, mas sem gritar;
3) Caso a pessoa não compreenda bem, repetir o que foi dito empregando algumas palavras diferentes para aumentar a chance de compreensão;
4) Jamais falar gritando de outros aposentos da casa;
5) Incentivar uma avaliação médica do problema, e, se houver indicação, o uso de aparelhos auditivos;
6) Incentivar o uso de fones de ouvido para assitir televisão e escutar aparelhos de som;
7) Incentivar a instalação de alarmes luminosos para a campainha da casa e do telefone.